“DE MODO ALGUM ÉS A MENOR”: A CURA DA INFERIORIDADE MEDIANTE A HUMILDADE - IV DOMINGO DO ADVENTO, ANO C
ESBOÇO:
- ASPECTOS INTRODUTÓRIOS
O olhar humano e o
olhar da Fé: a inteligência sem Deus perde seu objetivo.
- DESENVOLVIMENTO TEOLÓGICO-EXEGÉTICO - SITZ IM LEBEN
E O PARALELISMO ENTRE O ANTIGO E O NOVO TESTAMENTO
Belém: a menor entre
os príncipes de Judá
A Virgem Maria: cheia do Espírito Santo
irradiava humildade e alegria
- ATUALIZAÇÃO
Complexo de
Inferioridade: um olhar auxiliado pela psicologia
- CONCLUSÃO
A Inteligência e o reflexo
da presença de Deus: A cura da Inferioridade mediante a humildade.
ASPECTOS INTRODUTÓRIOS – O
OLHAR HUMANO E O OLHAR DA FÉ: A INTELIGÊNCIA SEM DEUS PERDE SEU OBJETIVO.
Ensina o Apóstolo que “o justo
viverá pela Fé” (Gal 3,11). Esta afirmação ressalta a natural insuficiência de
nossa razão para atingir, por si mesma, determinadas verdades da Religião
Católica, Quando a inteligência se dissocia de Deus, perde a capacidade de
aprender o que a realidade possui de mais essencial: a presença d’Ele na alma e
em todo o Universo criado. Basta recordarmos o prodigioso testemunho de Santo
Agostinho, que após percorrer em vão o mundo do pensamento à procura do sentido
de sua existência, exclamou: “Tu estavas dentro de mim, mais inferior que o meu próprio íntimo e mais elevado que o
ápice do meu ser”. Ora, esse conhecimento foi-lhe dado pela fé, pois a vista
humana não alcança Deus diretamente. De
igual forma, quando analisamos as Sagradas Escrituras não é possível
acompanha-las com a pura inteligência. Esta fica aquém da amplitude
sobrenatural dos episódios da História Sagrada, de modo especial, dos
Evangelhos, e a partir de certo limite deve se abrir para as inspirações do
Espírito Santo a fim de penetrar em seu sentido divino. Cabe-nos meditar tais
fatos enquanto acontecimentos movidos pela ação do Espírito Santo. Neste sentido, comtemplemos a singela
narrativa apresentada tanto pelo Profeta Miqueias quanto pelo Evangelista
Lucas, pois ambas se encontram e manifestam mútuo afeto. Simples cena,
descritas sob o véu de um mero acontecimento familiar, mas que abarca uma
profundidade insondável e assim se encontra com a nossa existência.
DESENVOLVIMENTO TEOLÓGICO-EXEGÉTICO
- SITZ IM LEBEN E O PARALELISMO ENTRE
O ANTIGO E O NOVO TESTAMENTO
BELÉM: A MENOR ENTRE OS PRÍNCIPES DE JUDÁ
Assim diz a 1ª Leitura: “Assim diz o Senhor: Tu, Belém de Éfrata, pequenina
entre os mil povoados de Judá, de ti há de sair aquele que dominará em Israel; sua
origem vem de tempos remotos, desde os dias da eternidade”.
Belém
(em hebraico: בית לחם; romaniz.: Beit Lehem, lit. "Casa do Pão"; em
grego clássico: Βηϑλεέμ; romaniz.: Bethlehém; em latim: Bethlehem) é uma cidade
palestina localizada na parte central da Cisjordânia, com uma população de
cerca de 30 000 pessoas. É a capital da província de Belém, no Estado da
Palestina, e um centro de cultura e turismo no país. Localiza-se a cerca de 10
quilômetros ao sul de Jerusalém, a uma altitude de 765 metros acima do nível do
mar. Belém fica próxima às cidades de Beit Jala e Beit Sahour, assim como dos
campos de refugiados de Aida e Azza.
Belém
é, para a maior parte dos cristãos, o local onde nasceu Jesus de Nazaré. A
cidade é habitada por uma das mais antigas comunidades cristãs do mundo, embora
seu tamanho tenha se reduzido nos últimos anos, devido à emigração.
A
cidade também é a terra natal do rei Davi, e o local onde ele foi coroado rei
de Israel. Foi saqueada pelos samaritanos em 529, durante sua revolta, porém
foi reconstruída pelo imperador bizantino Justiniano II. Belém foi conquistada
pelo califado árabe de Omar, em 637, que garantiu a segurança para os
santuários religiosos da cidade. Em 1099 os cruzados capturaram e fortificaram
Belém, e trocaram o seu clero, ortodoxo grego, por outro, latino; estes, no
entanto, foram expulsos depois que a cidade foi capturada pelo sultão aiúbida
do Egito e Síria Saladino. Com a chegada dos mamelucos, em 1250, as muralhas da
cidade foram destruídas, sendo reconstruídas apenas durante o domínio do
Império Otomano.
Belém
foi identificada com a antiga Efrata, já citada na Bíblia (Gênesis 35:16;
Gênesis 48:27; Rute 4:11), e é chamada de Belém Efrata em Miqueias 5:2. Localizada
na zona montanhosa de Judá, a cidade também era designada como Belém de Judá
(Juízes 17:7; Mateus 2:5; I Samuel 17:12), possivelmente para distingui-la de
Belém de Zebulom (Josué 19:15), e "a cidade de Davi" (Lucas 2:4).
A
cidade é mencionada pela primeira vez no Tanakh e na Bíblia como a cidade mais
próxima ao local onde a matriarca abraâmica Raquel teria morrido, sendo então
enterrada "no caminho de Efrata, que é Belém" (Gen. 48, 7) O Túmulo
de Raquel, segundo a tradição, encontra-se na entrada da cidade. De acordo com
o Livro de Rute, o vale a leste da cidade é onde Rute de Moabe respigou os
campos e retornou à cidade com Naomi. Belém é também tida tradicionalmente como
a terra natal de Davi, o segundo rei de Israel, e o lugar onde ele foi coroado
por Samuel (I Samuel 16:4-13), e foi no poço da cidade que três de seus
guerreiros pegaram a água levada a ele, quando teve se esconder na caverna de
Adulão. (Samuel 23:13-17) Ocupada, por algum tempo, pelos filisteus, foi
fortificada por Roboão e repovoada quando da volta do Exílio.
Belém
é mencionada também por ser o local de nascimento de Jesus Cristo (Mateus
2:1-6; Lucas 2:4-15; João 7:42), cumprindo-se, então a profecia messiânica: «E
tu Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum o menor dentre os principais
lugares de Judá. Porque é de ti que há de sair o Chefe, que há de pastorear o
meu povo, Israel.» (Miqueias 5,2)
Diante
destas informações, o que se pode compreender? Pois bem, que pelos méritos de
Cristo, a pequenina e frágil Belém seria elevada entre todas as nações da
terra! Ora, assim como Belém fora elevada pelo nascimento do Salvador, nós,
seres humanos, com toda nossa fragilidade e miséria seremos elevados! Nós, com
toda a nossa inferioridade, psíquica e espiritual, jamais seremos os menores na
terra!
Pois
não nos enganemos: assim como Belém, muitas vezes seremos vistos como os
menores e mais inferiores, se não pelos outros, por nós mesmos, não se sentindo
suficiente para si e nem para os outros.
A VIRGEM MARIA: CHEIA DO ESPÍRITO SANTO
IRRADIAVA HUMILDADE E ALEGRIA
Dois relatos do Novo Testamento descrevem
Jesus como tendo nascido em Belém. De acordo com o Lucas 2:4, os pais de Jesus
viviam em Nazaré, porém viajaram para Belém para o censo de 6 d.C., e Jesus
teria nascido ali antes que a família voltasse para Nazaré.
O relato do
Evangelho de São Mateus porém, mencionando que Jesus fora nascido em Belém de
Judá (Mat 2, 1), sem menção explícita a qualquer condição especial, como
viagem, a que reporta o Evangelho segundo Lucas, admite o entendimento (todavia
não descartando, de todo, a circunstância de permanência temporária por ocasião
do nascimento) de que a família já vivia em Belém quando Jesus nasceu, e
posteriormente se mudou para Nazaré (Mat 2, 1-23).[18] Mateus ainda relata que
Herodes, o Grande, ao receber a notícia de que um "Rei dos Judeus"
acabara de nascer em Belém, ordenou que todas as crianças com dois anos ou
menos na cidade e nas redondezas fossem mortas. O pai terreno de Jesus, José, é
alertado sobre isto num sonho, e foge com sua família ao Egito, retornando
apenas depois da morte de Herodes. Ao receber outro aviso, em outro sonho, no
entanto, José foge novamente com sua família, desta vez para a Galileia, para
viver em Nazaré.
Os
primeiros cristãos interpretaram um dos versos do Livro de Miqueias (Miq 5, 2)
como uma profecia do nascimento do Messias em Belém. Muitos estudiosos modernos
questionam se Jesus teria nascido realmente em Belém, sugerindo que os
diferentes relatos dos Evangelhos teriam sido inventados para apresentar o seu
nascimento como a realização desta profecia, implicando assim uma ligação com a
linhagem do rei Davi. O Evangelho de São Marcos e o Evangelho de São João não
incluem relatos sobre o nascimento de Jesus, ou qualquer indício de que ele
tenha nascido em Belém, referindo-se a ele apenas como sendo de Nazaré. Num
artigo escrito em 2005 para a revista Archaeology, o arqueólogo israelense
Aviram Oshri indicou a ausência de evidências de habitações na área durante o
período em que Jesus teria nascido.
A
antiguidade da tradição do nascimento de Jesus em Belém é atestada pelo
apologista cristão Justino, o Mártir, que declarou em seu Diálogo com Trifão
(c. 155-161) que a Sagrada Família teria se refugiado numa caverna nos
arredores da cidade. Orígenes de Alexandria, escrevendo por volta do ano 247,
referiu-se a uma caverna na cidade de Belém, que os habitantes locais
acreditavam ser o local de nascimento de Jesus. Esta caverna poderia ser uma
que foi anteriormente local destinado ao culto de Tammuz.
Além do
“sim” eterno e divino do Filho que disse “ó Pai, eis que eu venho para fazer
tua vontade”, nas montanhas da Galiléia, em Nazaré, um outro “sim” ecoou: o sim
de uma criaturazinha frágil, o sim apaixonado e total à proposta inaudita de
Deus: “Gabriel, vai dizer Àquele que te enviou que eu sou a Serva, que se faça
conforme a tua palavra!” Que mistério tão impenetrável, que inteligência alguma
humana poderá compreender plenamente! O sim do Filho eterno somente realizou-se
no nosso mundo graças ao sim de uma pobre Virgem de Nazaré! Como pode o Criador
depender da criatura? Que mistério tão grande o plano eterno de Deus depender
de nós! A Virgem disse sim: sim total, sim sem condições, sim absoluto, sim sem
reservas, sim de corpo e alma! E, depois do sim, ela corre para a região
montanhosa de Judá, para ver o sinal que o anjo havia dado: a parenta idosa e
estéril havia concebido! Como a arca da aliança, contendo as tábuas da Lei, foi
transportada para a região montanhosa de Judá (cf. 2Sm 6,1-8), também Maria, contendo
em si Aquele que é a nova Lei, vai para a região de Judá, como Davi admira-se e
exclama: “Donde me vem que a arca do meu Senhor fique em minha casa?” (2Sm 6,9)
Isabel também se derrama em júbilo admirado: “Donde me vem que a Mãe do meu
Senhor venha visitar-me?” Como a arca ficou três meses na casa de Obed-Edom
(cf. 2Sm 6,11), a Virgem ficou três meses na casa de Isabel! Que projeto
admirável de Deus, que sim tão bonito da Virgem! Quanta generosidade, quanta
fé, quanta entrega, quanto abandono! Quanta humildade!
ATUALIZAÇÃO – COMPLEXO DE INFERIORIDADE: UM OLHAR AUXILIADO PELA PSICOLOGIA
Um complexo de
inferioridade, nos campos da psicologia e da psicanálise, é o sentimento de que uma pessoa é
inferior a outra, de alguma forma. Tal sentimento pode emergir de uma
inferioridade imaginada por parte da pessoa afligida. É, frequentemente,
inconsciente, e pensa-se que leva os indivíduos atingidos à supercompensação, o
que resulta em realizações espetaculares, comportamento antissocial, ou ambos.
Diferentemente de um sentimento normal de inferioridade, que pode atuar como um
incentivo para o progresso pessoal, um complexo de inferioridade é um estágio
avançado de desalento, frequentemente resultando numa fuga
das dificuldades. Os trabalhos pioneiros neste campo foram realizados por
Alfred Adler (1917), que usou o exemplo do complexo de Napoleão para ilustrar
sua teoria. Alguns sociólogos propuseram que um complexo de inferioridade pode
também existir num nível mais amplo, afetando culturas inteiras. Esta teoria
controversa é conhecida como inferioridade cultural. A psicologia adleriana
clássica faz uma distinção entre os sentimentos de inferioridade primário e
secundário. Diz-se que um sentimento de inferioridade primário está enraizado
na experiência original de fraqueza, desamparo, e dependência experimentadas
por uma criança pequena. Ela pode ser intensificada por comparações com outros
irmãos e adultos. Um sentimento de inferioridade secundário relaciona-se às
experiências de um adulto em atingir um objetivo final inconsciente, fictício,
de segurança e sucesso subjetivos para compensar-se por sentimentos de
inferioridade. A distância percebida daquele objetivo levará a um sentimento
"negativo" que pode então instigar o sentimento de inferioridade
original; este composto de sentimentos de inferioridade pode ser experimentado
como acabrunhante.
Este
sentimento pode se manifestar das seguintes formas:
1) Recuo – desistência de contatos
sociais;
2)
Agressão
– busca excessiva de atenção, crítica alheia, obediência excessivamente
obsequiosa e preocupação.
Pode-se
seguir a seguinte estratégia para lidar com o complexo de inferioridade:
1)
Consciência
– trazer o complexo ao nível consciente;
2)
Superar –
superar a incapacidade.
CONCLUSÃO: A INTELIGÊNCIA E O REFLEXO
DA PRESENÇA DE DEUS: A CURA DA INFERIORIDADE MEDIANTE A HUMILDADE.
É da Belém pequenina entre os mil povoados de Judá
que sairá o Dominador de Israel; é de uma Virgem pobre, frágil e humilde que virá
o Salvador, aquele que “estenderá o poder até aos confins da terra”. Deus é
assim: onde não há vida, onde não há esperança, onde não há grandeza aos olhos
do mundo, ele faz a vida brotar, a esperança surgir, a grandeza aparecer! Não é
esta uma das maiores lições do Natal? Um Deus que escolhe o caminho da
fraqueza, da pobreza, da humildade, da debilidade? Convertamo-nos ao modo de
agir de Deus, tão distante dos nossos modos magalomaníacos, dos nossos projetos
grandiloqüentes! Para nossa vergonha e confusão, para nossa conversão, é
preciso dizer sem medo: Deus não está primeiro no que é forte, mas no que é
fraco; Deus não está antes no que é potente, mas no que não pode nada; Deus não
está na riqueza, mas na pobreza; Deus não está em cima, mas embaixo; Deus não
está com os vencedores, mas com os vencidos; Deus não está com os que riem
pelas glórias do mundo, mas com os que choram porque se sentem sós, pisados,
humilhados e triturados pela vida!
Assim sendo, a nossa inferioridade só poderá ser curada
mediante uma verdadeira e sincera humildade. Tal caminho precisa ser trilhado
pela inteligência regida pela reta razão, capaz de cumprir seu termo que é ser
o reflexo de Deus, do divino em nós. Para tanto, invoquemos a Sabedoria
encarnada como nos ensina a 1ª das Antífonas do “Ó”:
“Ó Sabedoria, que saístes da boca do
altíssimo atingindo de uma a outra extremidade e tudo dispondo com força e
suavidade: Vinde ensinar-nos o caminho da prudência”.
2º ano de Teologia.


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