O PARADOXO DA INSIGNIFICÂNCIA DE UMA SEMENTE DE MOSTARDA (XI DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO B)
ASPECTOS INTRODUTÓRIOS
Dando continuidade ao caminho do discipulado de Cristo,
cuja temática revestirá os Domingos do Tempo Comum, a Liturgia no dia de hoje
lança o convite à meditação acerca da nossa frágil condição humana, como que
resgatando a temática do domingo passado mas inserindo-a numa nova roupagem: o
papel que cada um tem no Reino de Deus, não de forma funcional e mecanicista
mas sim de uma forma espiritual, mesmo diante das variáveis que constituem
nossa frágil humanidade, pois, a semente que cresce recorda que “nada podemos
em nossa fraqueza”, e por isso suplicamos ao Senhor: “dai-nos sempre o socorro
da vossa graça, para que possamos querer agir segundo a vossa vontade”.
A Primeira Leitura, ao mostrar os trâmites políticos
operados por Nabucodonosor, rompendo assim a aliança para com Deus, o mesmo não
retira a possibilidade de continuar em Israel o plano de Salvação, ou seja,
mesmo diante da falha e da culposa atitude, Deus permanece incólume pois “eu
sou o Senhor, que abaixo a árvore alta e elevo a árvore baixa; faço secar a
árvore verde e brotar a árvore seca. Eu, o Senhor, digo e faço”.
O Evangelho, ao permanecer neste mesma esteira, procura
aprofundar por meio da parábola acerca do Reino de Deus quando diz que este “é
a menor de todas as sementes e se torna a maior de todas as hortaliças”. Contudo,
isto faz brotar uma pergunta aos homens daquela época e na nossa: a obra de
Jesus atingirá seu escopo?
A Segunda Leitura, partindo do espírito do Salmo como que
procura responder e fundamentar a questão proposta pelo Evangelho, uma vez que “quer
estejamos no corpo, quer já tenhamos deixados essa morada, nos empenhemos em
ser agradáveis ao Senhor”, ou seja, o que realmente importa é ser, desde já
agradável a Deus, praticando suas obras e sua vontade, tornando assim um
memorável contributo ao Reino de Deus.
Dessa forma, somos interpelados a perceber que Deus
utiliza dos insignificantes instrumentos humanos para realizar a obra operada
pelo seu Reino: não depende de nós, mas sim dele que se utiliza de nós. Mas,
será que Ele conseguirá, assim, dessa forma, instaurar seu Reino? Qual o nosso
papel nisto tudo?
Na Primeira Leitura somos inseridos
no dramático cenário de humilhação que Nabucodonosor exerce sobre Sedecias por
meio de uma linguagem alegórica cuja significação é importante: o Cedro alto é
a casa Real de Davi, já o ramo, é o Messias. Era um renovo tenro, humilde na
sua encarnação e, aparentemente fraco. Mas, plantado sobre um monte alto e
sublime, seria o maior poder da terra. Sedecias, o ramo do tempo anterior, foi
humilhado por Nabucodonosor e era uma videira de pouca altura. Contudo, o
Messias será exaltado no monte mais alto, no alto da Cruz! O renovo é real e
será o Potentado Universal. O Messias será exaltado pois “Deus o exaltou
sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo o nome” (Fp 2,9).
Assim compreende-se quando diz: “Ele produzirá folhagem, dará frutos e se
tornará um cedro majestoso” pois este enxerto tem vida em si mesmo e,
quando plantado no monte alto, desenvolverá um grande e nobre cedro, de modo
que sua alegoria traz surpresas uma vez que é nítido o Reino do Messias trará
um novo dia e de que este Cedro é Israel restaurado, a Cidade de Deus, A Igreja
Santa, que de galhos tão extensos, muitas espécies de aves acorreram a ela:
será a cabeça das nações e o centro das atividades espirituais.
O mesmo acontece com a atividade
parabólica do Evangelho de hoje, estabelecendo um íntimo paralelo com a
narrativa da Babilônia, que era uma árvore alta e exaltada, mas o seu dia logo
passou. Este versículo apresenta um princípio geral de como os soberbos são
humilhados e os humildes, exaltados pelo poder de Deus: apesar de não ser uma
árvore, seu crescimento é tão grande que ela assume as características de uma
árvore. Os pássaros reconhecem isso e buscam fazer seus ninhos sob sua sombra.
Quem esperaria que esse arbusto se transformasse em árvore? E quem esperaria
que tão pequena semente tivesse todo esse potencial? A provisão de Deus excede,
de modo magnificante, toda a potencialidade humana,
Com estes
ensinamentos de Jesus, pode-se aprender três coisas importantíssimas para o
caminho do discipulado cristão: 1) o crescimento só toma lugar no solo certo e
há responsabilidade do homem no tocante à acolhida dada a Palavra de Deus. 2) O
solo possui “forças ocultas” e poderosas ao ponto que o crescimento do
propósito de Deus é inevitável. 3) Este “crescimento inevitável” pode florescer
partindo de um minúsculo e insignificante começo. Assim também somos nós, uma
aparente e insignificante semente de mostarda que, ao se unir no solo sagrado
da casa de Deus, nos tornamos a mais frondosa das hortaliças e,
consequentemente, assumimos nosso papel em prol ao Reino de Deus.
Sem. José Demétrio de Camargo
2º ano de Teologia.


Comentários
Postar um comentário